Gastar e investir com inteligência pode garantir uma boa aposentadoria

12/12/2020 0 Por Paulo Melo

Pela primeira vez, a humanidade experimenta a coexistência de várias gerações diferentes ao mesmo tempo. Esse fenômeno é marcado por aumento significativo da longevidade. Contudo, traz embutido um enorme desafio, visto que cada geração é marcada por características únicas que vão de aspectos sociais, econômicos, culturais, psicológicos e antropológicos e acabam influenciando os comportamentos individuais e coletivos.

Para efeito de análise, destaco o recorte econômico, especialmente como cada geração se prepara, vem se preparando ou se preparou para enfrentar o envelhecimento e aposentadoria. No caso do Brasil, marcado historicamente por crises econômicas, pelo imediatismo e cultura do consumo, a ausência do hábito de poupar e de planejamento financeiro têm sido uma constante, independente de geração.

A grande maioria da população, nem pensa no envelhecimento e aposentadoria e muito menos se o sistema de previdência social oficial vai dar condições de certa qualidade de vida na terceira idade. O modelo de previdência social adotado no Brasil é baseado na lógica das gerações mais jovens financiarem as gerações anteriores. O que acontece é que esse modelo está passando por uma modificação estrutural, devido uma maior expectativa de vida, tornando a pirâmide etária invertida, onde o grupo de pessoas mais idosas será a maioria, comprometendo a viabilidade do sistema.  

O quadro se agrava quando se observa que as novas tecnologias têm reduzido a quantidade de trabalhadores formais e também uma queda do número de filhos por família, reduzindo ainda mais o grupo de trabalhadores que devem contribuir com a previdência social. O resultado prático é que a geração atual e futuras vão precisar trabalhar mais anos e receber benefícios menores para manter o sistema minimamente funcionando.

A perspectiva de como essas gerações vão se sustentar financeiramente na aposentadoria parece não estar preocupando a população brasileira. Não percebo na sociedade nenhum movimento significativo de poupança e investimento capaz de garantir um futuro financeiro mais tranqüilo.  

Uma dica seria gastar e investir com inteligência. Gastar com inteligência significa usar a informação a seu favor, evitar comprar por impulso e acompanhar o histórico de preços dos produtos de compra recorrente, como os de supermercado, visto que, dependendo da faixa de renda da família, pode comprometer até 30%.

Investir com inteligência, por outro lado, significa buscar o quanto antes aplicar as sobras de caixa em ativos que permitam uma melhor qualidade de vida na terceira idade, como por exemplo, fundos de pensão e previdência privada. A escolha do ativo financeiro deve basear-se na busca de gestores sólidos e confiáveis, bem como, taxas de administração razoáveis que possam garantir com segurança o retorno dos seus investimentos no futuro.