Inflação oficial X inflação pessoal – O que fazer?
Até o fechamento desse artigo, ainda não tínhamos o resultado do IPCA de 2020, mas as previsões ficam entre 4,23% e 4,38%, o que é um pouco acima da meta do governo estipulada em 4,0%. Nessa previa, o grupo de alimentação e bebidas ficou com a maior alta e deverá chegar a 14,36% no acumulado do ano. IPCA é o índice oficial de inflação do governo medido pelo IBGE através de uma cesta de produtos e serviços consumidos por um grupo de pessoas que ganham até 40 salários mínimos.

Considerando que os dados do IPCA abrangem o levantamento de cerca de 430 mil preços, 30 mil estabelecimentos em 13 regiões metropolitanas do país, esse índice sempre tende a ser menor do que a variação de preços sentida diretamente pelo bolso do cidadão comum, sugerindo haver dois índices de inflação: o oficial (IPCA) e o individual ou índice pessoal de variação de preços (inflação pessoal).
Isso ocorre porque cada família tem um determinado perfil que envolve consumo de produtos e serviços diferentes e conseqüentemente, sendo os pesos que cada item tem no orçamento familiar geram resultados de inflação diferentes do que o apresentado como índice oficial.
Considerando haver a possibilidade de uma diferença entre o índice de inflação oficial e o pessoal, ferramentas como a que a startup Pricebook! oferece, que mostra a variação de preço entre o valor atual e o anterior, pode se tornar uma grande ferramenta para minimizar os efeitos dessas variações que podem levar, se não acompanhados, a uma expressiva queda de poder aquisitivo.
No levantamento elaborado pela startup com dados entre março e dezembro de 2020, mostra que alguns produtos, considerando as diversas marcas e promoções, tiveram comportamentos de preços bem peculiar, como por exemplo: o álcool em gel frasco de 420gr chegou em maio a custar cerca de R$ 13,99 e em dezembro podia ser encontrado a R$ 8,99. O papel higiênico com 12 unidades custava R$ até R$ 16,50 em março e em outubro, podia ser encontrado a R$ 7,89.
Outros produtos tiveram seus preços bem majorados, como o arroz tipo 1 saco de 5kg, que era encontrado em março por R$ 11,99 e chegou a R$ 25,90 em novembro. O feijão, outro produto bastante consumido pelos brasileiros variou de preços entre R$ 4,20 em março e R$ 7,39 em dezembro. Um kilo do sabão em pó variou de R$ 4,99 a R$ 6,99, entre março e novembro respectivamente. O litro de leite UHT integral variou entre R$ 2,49 e R$ 3,89 entre o mesmo período e em alguns estabelecimentos, esses preços foram bem maiores.
Imagine então, alguém que consumiu bastante álcool em gel, arroz, feijão, papel higiênico, sabão em pó e leite, a inflação pessoal seria bem diferente da prevista pelos especialistas de 4,38% em 2020, o que levaria a uma significativa queda do seu poder de compra, mesmo que alguns produtos tenham recuado de preço ao longo do ano.
Outro fator interessante trazido pelo levantamento da startup Pricebook! é referente ao comportamento do consumidor no que diz respeito ao que colocar no carrinho de supermercado. Considerando as 5 maiores categorias de produtos, ao longo do período entre março e dezembro, em média, a distribuição por prioridades ficou assim: (i) 1º. lugar: Leite e derivados ; (ii) 2º. lugar: Higiene pessoal; (iii) 3º. lugar: Produtos de limpeza; (iv) 4º. lugar: Pães, biscoitos e snacks e (v) 5º. lugar: Água, sucos e bebidas não alcoólicas. É importante destacar que ao longo dos meses, essas categorias alternaram de posição conforme as necessidades de consumo das famílias.
Embora o cenário no começo de 2021 ainda seja parecido com o de 2020, as perspectivas com a chegada da vacina podem ser mais animadoras, mas o que não vai mudar são as variações de preços e a percepção de que índices de inflação como o IPCA serão diferentes daqueles sentidos pelo bolso do consumidor. Então se proteja e a melhor proteção é sempre a informação.
Um grande ferramenta de controle de preços. Ajuda muito. Tenho usado e indico.