Nível de alfabetização financeira dos trabalhadores e as organizações
Até agora, a questão da educação financeira ou a falta dela, tem sido tratado somente no âmbito individual. Mas será que as empresas não deveriam começar a se preocupar com esse problema?
Nossa estória começa quando constatamos que mesmo com a perspectiva de uma taxa de inflação menor do que a de 2021 que fechou em 10,06%, o ano de 2022 deverá ser um ano onde a elevação de preços terá também efeitos significativos no bolso do consumidor brasileiro.
Embora existam mecanismos como as negociações salariais para repor a perda inflacionária, nem todas as categorias conseguem êxito. Em 2021, por exemplo, 47,7% das negociações salariais tiveram reajustes menores do que a inflação do período. A categoria que mais perdeu para a inflação foi a de serviços, com 60,4% dos acordos abaixo do INPC, que fechou 2021 em 10,16%.
Lamentavelmente, essa categoria é a que detém uma das menores faixas de renda, trabalhadores com menor nível de qualificação profissional e de educação formal; assim, seus trabalhadores são os que mais sofrem com os efeitos e consequências da elevação de preços.
Já que as negociações salariais coletivas nem sempre logram êxito para repor pelo menos a inflação do período, alternativas individuais de gestão do orçamento doméstico acabam sendo as únicas alternativas.
Uma dessas alternativas, é o acompanhamento da variação de preços dos produtos/marca de compra recorrente: produtos de supermercado, de farmácias e até para pets. Com a informação do último preço pago, o consumidor pode, na hora da compra, fazer a melhor escolha, evitando aqueles produtos/marca, que desrespeitam seu bolso, minimizando assim, a perda do poder aquisitivo causado pela inflação.
Infelizmente, o consumidor/trabalhador brasileiro, em geral, parece não ter um nível de educação financeira suficiente para entender que a dinâmica de variação de preços ao longo do tempo, pode levar a uma perda do poder de compra do salário, descontrole do orçamento familiar e endividamento gradual das famílias.
Má gestão do orçamento doméstico e consequente endividamento é um problema não só para os indivíduos, como também para as organizações. Trabalhadores endividados são propensos a ter baixa produtividade, pois ao invés de terem o foco no trabalho, se preocupam com as contas atrasadas da família.
Baixa produtividade, absenteísmo e aumento dos custos com planos de saúde são alguns dos fatores que afetam diretamente o clima e resultados organizacionais, consequências diretas do baixo nível de alfabetização financeira dos colaboradores.
E agora, será que as empresas não deveriam pensar sobre isso?
Paulo Melo, PhD e Empreendedor
CEO Pricebook! do Brasil