Educação Financeira no Brasil, muita retórica e pouca ação
A internet está cheia de gurus e “influencers” que tratam da temática de educação financeira. Muitas fórmulas “secretas” e “mágicas” para investir e enriquecer são difundidas. E o pior, muita gente, muita gente mesmo, acredita e seguem essas “celebridades”. Atribuo que o grande sucesso se deve, em parte, ao espírito imediatista do brasileiro que busca resultados sem grande esforço e com rapidez.
Nesse cenário, crescem instituições financeiras que com o uso da tecnologia estimulam o consumo através do crédito fácil, sem avaliar como esses tomadores irão pagar suas dívidas no futuro. Resultado: aumento do endividamento e inadimplência, que afeta diretamente a economia.
Educação financeira é uma questão complexa que abrange dois pilares: educação e comportamento. Nesse texto contudo, vamos abordar somente o pilar da educação.
Tudo começa na escola. O website da Fundação Lemann, de acordo com dados extraídos do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), destaca que na edição de 2019, somente 5% dos jovens têm proficiência em matemática ao final do ensino médio.
De acordo com a Fundação, para aferir o grau de proficiência, os pesquisadores consideram 4 níveis: insuficiente, básico, proficiente e avançado. Assim, um aluno para estar apto a enfrentar o mercado de trabalho, com todos os seus desafios, deve estar pelo menos no nível de proficiência ou avançado.
Então, pensar seriamente em educação financeira no Brasil, demanda levar em consideração a questão crônica de baixa proficiência em matemática.
Assim, como um indivíduo que não entende conceitos básicos de matemática, juros simples e composto e variação de preços ao longo do tempo pode pensar em investir sem ter o controle dos gastos domésticos e sobra de caixa?