Muitos desafios e pouco tempo. Urgente! Urgentíssimo!

30/06/2023 0 Por Paulo Melo

Assim como produtos distribuídos nas prateleiras dos supermercados “conversam” entre si, as matérias distribuídas nas edições dos jornais também “conversam” entre si.

Vamos pegar um exemplo bem pontual: Jornal Estado de São Paulo, edição de 30 de junho. Destaco as seguintes matérias:

  1. Os jovens nunca foram tão preciosos
  2. Brasil amarga o 61º lugar em ranking sobre produtividade do trabalhador
  3. O rolo do desenrola
  4. Governo muda sistema de metas de inflação com anuência do BC

Na primeira matéria, o jornal chama atenção para o envelhecimento da população e a necessidade urgente de políticas públicas para preparar o jovem para os desafios desse novo momento, onde a população idosa deve ser maior que a de jovens.

Como exemplo de políticas públicas necessárias e urgentes, a matéria “Brasil amarga o 61º lugar em ranking sobre produtividade do trabalhador” destaca a importância do investimento em educação para aumentar a produtividade do trabalhador brasileiro (O Brasil precisa de 4 trabalhadores para fazer o que 1 americano faz), que ocupa a 61ª posição entre 64 países avaliados, ficando atrás somente de países como a Mongólia, Nova Zelandia e Venezuela. Baixa produtividade do trabalhador reflete diretamente na competitividade do país, que segundo o IMD, o Brasil ocupa as últimas posições, ficando em 60º lugar.

Bom, segundo essas matérias, o Brasil está envelhecendo com baixa produtividade dos trabalhadores, o que reflete em baixos salários. Baixos salários é uma das causas do grande endividamento da população, que segundo a Serasa Experian, já chegou a mais de 70 milhões em maio último.

Baixa renda e endividamento afetam diretamente o crescimento econômico, pois do ponto de vista da demanda, a fatia do consumo das famílias chega a 60% do PIB. Assim, população endividada não consegue manter um nível de consumo capaz de fazer com que a economia possa dar voos maiores.

Então, para resolver o problema, o atual governo lança o programa “Desenrola”, que visa tirar pelo menos 70 milhões de pessoas da lista de devedores. O foco principal desse programa são os que ganham até 2 salário mínimo.

Esse grupo terá garantia do Tesouro (ou, seja, o dinheiro dos impostos pagos por todos) através do Fundo Garantidor das Operações com juros inferiores a 2% ao mês. A questão que fica é: Qual a garantia de que dentro de pouco tempo, essa fatia da população não volte a se endividar?

Outro fator que afeta o endividamento são as taxas de juros. As taxas de juros são reflexos do índice de inflação corrente. Na última matéria, o jornal destaca também que o Conselho monetário resolveu manter a meta de inflação nos 3%aa; contudo, foi flexibilizada a exigência do cumprimento da meta, que antes era de 12 meses (ano-calendário), para a partir de 2025, adotar a meta contínua em 18 ou 24 meses, ainda à definir.

Isso permite que o BC possa ter mais flexibilidade para controlar a inflação e proporcionar uma redução da taxa Selic, de forma que seus efeitos tenham menos impacto na economia.

Espera-se que com uma inflação sob controle e juros mais baixos, a parte da população endividada possa colocar as contas em dia e voltar a consumir.  Espera-se também um maior investimento em educação, passando pelo estabelecimento de um novo modelo para o ensino do 2º grau, que permita o trabalhador brasileiro se qualificar melhor para o mercado de trabalho e assim, aumentar sua produtividade, ter uma maior renda e no final, tornar o país mais competitivo.

Tudo isso junto, precisa acontecer o mais rápido possível, para aproveitar, talvez, a última janela de oportunidade para tirar o país da armadilha da renda média baixa. O desafio é enorme, pois segundo especialistas, historicamente não existe exemplos de países que envelheceram e enriqueceram. Caso não ocorra, estamos fadados a sermos um país pobre, de velhos endividados e crescimento econômico medíocre.

Oxalá o país seja exemplo de que ainda dá tempo para fazer a coisa certa!