Bolso do consumidor sofre ataque de fatores “ocultos”
Segundo a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), o desempenho da última Black Friday do varejo tradicional não foi o esperado pelos varejistas. A instituição sugere que além dos fatores econômicos que impactam “para o bem ou para o mal”, existe uma “competição oculta” pelo bolso do consumidor.
Embora alguns indicadores macroeconômicos tenham apresentado melhores desempenhos esse ano em relação ao ano anterior, como a quantidade de trabalhadores ocupados e o rendimento médio real que avançou 3,9% em comparação ao ano anterior segundo a pesquisa PNAD do IBGE, a taxa SELIC ainda se encontra em um nível elevado e o grau de endividamento e de inadimplência das famílias têm deixado os consumidores com certa cautela em assumir novos compromissos.

Segundo o BACEN, as famílias brasileiras já têm comprometido cerca de 30% de sua renda com dívidas, excluindo a prestação da casa própria, o que as inibe a assumir novos compromissos.
Bom, tudo isso é a parte visível que explica, em partes, o desempenho abaixo do esperado da Black Friday de 2023; mas o que seria então a chamada “competição oculta” pelo bolso do consumidor?
A hipótese sugerida pela SBVC é que outros fatores como as apostas online, a venda direta da indústria, os websites internacionais e os marketplaces vêm abocanhando uma fatia significativa da renda do consumidor que seria destinada às compras no varejo tradicional.
Contudo, um outro fator “oculto” é a inflação doméstica.
Mesmo que o IPCA acumulado de 2023 que deve fechar menor em relação ao de 2022 (5,78%), os preços da cesta doméstica, principalmente em relação aos alimentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza, sofreram variações significativas no ano de 2023. Como não prestamos atenção a essas variações “silenciosas” de preços, esse fator passa despercebido, mas tem um impacto gigantesco no orçamento doméstico, afetando diretamente o poder de compra das pessoas, deixando menos dinheiro disponível para novos compromissos.