Alfabetização, letramento e a educação financeira

22/05/2024 0 Por Paulo Melo

De acordo com dados do IBGE, censo de 2022, a taxa nacional de analfabetismo no Brasil foi de 7%. Ou seja, 93% da população, se diz capaz de ler e escrever um bilhete de poucas palavras e complexidade. Nesse contexto, é preciso separar dois conceitos importantes: alfabetização e letramento.

Entende-se por alfabetização, o processo de codificar e decodificar letras, números e símbolos escritos, desenvolvendo a habilidade de ler e escrever. Outro conceito é o de letramento. No letramento, o individuo desenvolve o uso da leitura de forma a ser capaz de organizar ideias, interpretar e compreender textos e principalmente refletir sobre os impactos na sua vida. Assim, pessoas alfabetizadas não necessariamente são pessoas minimamente letradas.

Na educação financeira, podemos usar esse mesmo raciocínio: podemos considerar que 93% dos brasileiros sabem ou foram introduzidos à aritmética na sua dimensão mais elementar: conhecer os números e as quatro operações (somar, diminuir, dividir e multiplicar); contudo, parece que quando se traz para aplicar esses conceitos na vida financeira, grande parte das pessoas não os aplica.  Podemos assim dizer que o brasileiro é supostamente alfabetizado, mas não minimamente letrado.

A questão principal são os impactos desse baixo nível de letramento na vida dessas pessoas. Os resultados são previsíveis: comprometimento da qualidade de vida no presente e no futuro, principalmente pela incapacidade de conseguir fazer uma boa gestão financeira pessoal.

O precário nível de letramento financeiro do brasileiro, sinaliza uma possibilidade de crise de grandes proporções na economia nos próximos anos, por que o Estado, com sua política de bem-estar social e previdência pública, não vai ser capaz de gerar recursos suficientes para garantir um sustento digno e de consumo a toda uma geração, que voluntariamente, mas talvez inconscientemente, desistiu de construir seu futuro.

No fim, entre um presente com sentimentos e expectativas efêmeras e um futuro incerto, há sempre uma escolha. Apesar de todas as dificuldades intrínsecas de lidar com dinheiro, indivíduos, empresas e governo podem se unir para construir um outro cenário para as próximas gerações: promover ações para revisitar conceitos de alfabetização, incluindo noções de aritmética, de forma a ajudar as pessoas a lidar melhor com suas escolhas, principalmente as financeiras. Fica a Dica!