Brasil – Envelhecemos e não enriquecemos

23/08/2024 0 Por Paulo Melo

A mudanças demográficas divulgadas recentemente pelo IBGE, trazem um misto de otimismo, porque estamos vivendo mais, mas ao mesmo tempo, de preocupação, porque não estamos preparando os jovens de hoje para viver com melhor qualidade e dignidade no futuro.

Infelizmente o Brasil não soube aproveitar a janela demográfica para se desenvolver e distribuir melhor a riqueza. O bônus demográfico do passado, foi mal aproveitado e não conseguimos incorporar o progresso tecnológico e produtividade nas transformações estruturais da economia e da sociedade.

Um dos reflexos diretos do envelhecimento da população, é no sistema de previdência pública. Segundo o Prof. Eustáquio Diniz, doutor em demográfica, sem uma reforma e mantido o regime atual, o sistema vai quebrar.

Então, qual a alternativa para os idosos terem uma vida com uma certa dignidade no futuro? A resposta pode ser começar desde jovem a poupar, investir e contribuir com uma previdência privada complementar. Entretanto, isso depende de um bom nível de educação financeira.

Infelizmente, o que vemos na prática é que os jovens brasileiros, em geral, são muito mal preparados para lidar com dinheiro. O nível de letramento financeiro é muito baixo. Segundo dados do PISA 2022, exame patrocinado pela OCDE, que avaliou os estudantes em relação à letramento e comportamento financeiro, mostrou que os estudantes brasileiros de 15 anos, ficaram na posição de no. 18 (antepenúltimo lugar) entre 20 países pesquisados. 71,7% dos estudantes brasileiros estão ranqueados nos níveis de baixíssima e baixa proficiência).

Considerando que uma das lições aprendidas nos resultados do PISA 2022, foi que melhores decisões sobre dinheiro, poupança e investimento, estão associados diretamente à jovens com melhores níveis de letramento financeiro, temos que investir pesado na educação e principalmente em educação financeira, para tentarmos mudar a realidade de 2070, que seguindo as tendencias atuais, envelheceremos sim, porém mais pobres.