Bacen decide por alta da SELIC, remédio ou veneno?

19/09/2024 0 Por Paulo Melo

Antes de mais nada, é preciso deixar claro, que a inflação é um fenômeno econômico que empobrece a todos. Como a velocidade que os preços sobem, não é a mesma que o salário cresce, você vai precisar cada vez mais de dinheiro para comprar as mesmas coisas. Assim, a inflação vira um câncer silencioso que afeta nosso bolso cada vez que precisamos gastar com alguma coisa.

Dito isso, voltamos ao tema do título desse artigo:  Bacen decide por alta da SELIC, remédio ou veneno?

O BACEN decidiu elevar a taxa SELIC em 0,25pp de 10,5% para 10,75% na reunião do COPOM realizado em 18 de setembro de 2024. A justificativa, ou uma delas, é o mercado interno aquecido, o que pode pressionar os preços, com tendência de possível impacto na inflação.

A decisão do BACEN é preventiva e leva em conta o resultado do PIB do 2º trimestre, com crescimento de 1,4% em relação ao trimestre anterior e pressões do mercado de trabalho, o que pode gerar um aquecimento do consumo acima da capacidade e elevar pressão sobre os preços. Também foram levados em conta os eventos climáticos extremos que assolam o país, podendo afetar os preços, principalmente de energia e alimentos, mesmo que temporariamente.

Se está certo ou errado a elevação da SELIC nesse momento, só o futuro próximo dirá. Segundo alguns analistas, ainda existe espaço para novas altas, podendo chegar no final do ano a uma SELIC entre 11,5% e 11,75%.

A taxa de juros é um remédio amargo, mas necessário para conter a inflação, com impactos diretos no governo, nas empresas e no cidadão. Não existe, ou não deveria existir prazer em subir a taxa de juros, principalmente pelos seus efeitos de retração na economia. Mas, como Economia não é uma ciência exata, o cuidado deve ser na dosagem e no tempo de exposição ao remédio, para não “prejudicar” ainda mais o paciente.