Falar sobre Educação financeira pode ser chato, mas é necessário

A educação financeira muitas vezes é percebida como um tema árido, burocrático e chato, repleto de planilhas e cálculos, o que contribui para sua negligência por parte da população.
No entanto, essa visão ignora um cenário alarmante: no primeiro semestre de 2025, entre janeiro e junho, o percentual de famílias endividadas oscilou entre 76,1% e 78,4%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) e uma inadimplência que chega a mais de 72 milhões de pessoas no país, segundo CNDL/SPC, o que equivale a cerca de 43% dos adultos brasileiros negativados.
Esse elevado grau de endividamento, mesmo com pequenas reduções pontuais, revela um quadro persistente, no qual o hábito de contrair e renegociar dívidas se torna parte da rotina. Assim, esse ambiente de endividamento e inadimplência crônica não representa apenas um desafio econômico, mas também um caso de cultura que legitima viver “no limite”, como se dever fosse sinônimo de normalidade.
Esse problema crônico e que parece se retroalimentar, impacta não somente o indivíduo, mas também as empresas e a economia como um todo. Com pessoas cada vez mais endividadas, compromete a saúde mental, que acaba sendo transportada para dentro das empresas, gerando queda de produtividade, de rendimento, aumento de absenteísmo, de rotatividade e de custos dos planos de saúde, impactando diretamente os resultados das empresas. Outro ponto é que com menos dinheiro no bolso, as pessoas compram menos, as empresas vendem menos e o país não consegue crescer e gerar mais empregos.
Diante desse panorama, a educação financeira transcende a mera maneira de lidar com o dinheiro, preencher planilhas e fazer cortes de gastos. Ela se configura como um pilar institucional indispensável para restabelecer o crescimento econômico e resgatar a autonomia e liberdade dos brasileiros, das empresas e do país.