O Efeito Desenrola: Solução Eficaz ou Estímulo ao Comportamento Perdulário?

28/09/2026 0 Por Paulo Melo

O crédito é uma das principais engrenagens do sistema econômico moderno, funcionando como um motor para o consumo e o crescimento. Estar endividado, portanto, não é um problema por si só, desde que o cidadão mantenha a capacidade de gerar receita para honrar seus compromissos. O verdadeiro gargalo surge quando essa balança perde o equilíbrio. Longe de ser um fenômeno de causa única, o endividamento decorre de uma complexa teia que envolve desde o comportamento esbanjador crônico e imprevistos de saúde até fatores macroeconômicos, como o desemprego, os juros altos e a inflação que corrói o poder de compra.

Diante desse cenário, iniciativas governamentais como o Desenrola Brasil surgem como um balão de oxigênio necessário para o curto prazo. Contudo, a sucessão rápida de suas edições (versões 1, 2 e 3) acende um alerta sob a ótica do cidadão: até que ponto esses programas resolvem a raiz do problema? Ao focar no alívio imediato sem contrapartidas estruturais, corre-se o risco de criar um incentivo perverso à reincidência, gerando no mercado a eterna expectativa por um “Desenrola 4, 5 ou 6” e perpetuando o ciclo da inadimplência.