A inflação e o voto americano – lições para o Brasil

07/11/2024 0 Por Paulo Melo

Esse não é um texto político partidário ou ideológico, mas uma reflexão sobre o impacto da inflação nas motivações do cidadão para votar.

A eleição presidencial americana de 2024 revelou o que já se sabia: em grande parte, o voto é reflexo da percepção do cidadão em relação à economia e tem a ver diretamente com o bem-estar econômico do momento e perspectivas de futuro.

Um dos indicadores econômicos principais é a inflação. Em junho de 2022, a inflação americana chegou a 9,1%aa, a maior em mais de 40 anos. Isso significa, que praticamente uma geração inteira de americanos não sabia o que era viver em um ambiente inflacionário.

É verdade também que a inflação americana não foi resultado de uma ação desastrosa de nenhum governo, mas em parte foi causada pela pandemia, quando governos tiveram que elevar os gastos para enfrentar a Covid-19. Outro fator, no caso americano, também resultado da pandemia, foi uma crise de oferta, gerado pela redução das atividades produtivas à nível mundial. Isso fez com que os preços no mercado domésticos subissem.

A inflação é um fenômeno cruel, que afeta principalmente os mais vulneráveis, reduzindo o poder de compra e a qualidade de vida. Já seu combate, é feito através de políticas econômicas implementadas pelos governos, mas demora um tempo para fazer efeito, ficando na memória do cidadão. Comparado a um computador, a inflação fica armazenado na memória RAM do cidadão, que é aquela de fácil acesso e que pode acabar se transformando em memória de longo prazo, afetando assim, como o ele vota.

No Brasil, ao elevar a taxa de juros, o Bacen está preocupado tecnicamente com os efeitos da inflação na economia, mas seu reflexo vai além e impacta nos preços do dia a dia da população, o que pode, em segunda instancia, influenciar como os brasileiros venham a votar nas próximas eleições.