Amnésia coletiva de preços e o equilíbrio das contas domésticas

03/08/2023 0 Por Paulo Melo

O BC, por meio do Copom, reduziu a taxa Selic em 0,5%pp, passando de 13,75%aa para 13,25%aa. O impacto na economia real deve ser sentido aos poucos, mas já traz um certo otimismo. Juros menores, crédito mais barato, capacidade de liquidar dívidas maior, reajustes de preços menores podendo chegar até a deflação (queda de preços).

Espera-se que os preços se comportem dentro da meta e assim, nas próximas reuniões do Copom, a Selic possa baixar mais ainda. No Brasil, a meta de inflação para 2024, deve ficar em torno de 3%aa, com tolerância de 1,5%pp para baixo ou para cima e a Selic para 2023, pode fechar em torno de 12%aa.

Boas notícias, certo? Sim, boas notícias macroeconomicamente falando. Mas quando se trata da inflação doméstica, é preciso sempre ficar de olho nos preços dos produtos, bens e serviços que consumimos.

O brasileiro em geral parece ter uma espécie de amnésia de preços, onde nunca ou quase nunca lembra quanto (R$) pagou por determinado produto ou serviço. Amnésia de preços trata sobre o esquecimento dos preços pagos nas últimas compras. Isso se mostra mais relevante, quando se refere aos produtos de consumo recorrente, aquele que compramos todo mês ou com certa frequência, como os de supermercados e farmácias. Só uma pequena minoria da população parece acompanhar o histórico de preços, o que pode evitar perda do poder de compra do dinheiro, sobrando mais recursos para fazer frente as outras despesas. Considerando o perfil de renda do brasileiro e sua propensão ao endividamento, ficar de olho nos preços é fundamental para um equilíbrio das contas domésticas. Assim, a redução da Selic pode ser um ótimo motivo para colocar as dívidas em dia e quem sabe até sobrar um dinheirinho para investir na sua segurança e no bem-estar financeiro. Fica a dica!!