Baby Boomers, a geração dos aposentados da vez

Em um modelo econômico ideal, dependendo do estágio do ciclo de vida, as pessoas tendem a se comportar de forma diferente em relação ao dinheiro.
Na primeira fase da vida produtiva, o indivíduo tende a gastar mais do que sua renda. Está na fase de construção de uma família, filhos e carreira. Na fase seguinte, a fase mais madura, as pessoas tendem a ter um maior equilíbrio entre renda e gastos e até conseguem acumular alguma reserva e destinar uma parte para a aposentadoria. Aí quando ficam idosos (acima de 60 anos), passam pela fase de desacumulação de riqueza, gastando suas reservas para financiar os anos restantes com mais qualidade de vida.
A geração “Baby Boomer”, nascidos entre 1945 e 1964, estão entre os idosos de hoje e serão os primeiros a experimentar um grande ciclo de longevidade, podendo chegar a viver até 100 anos. Contudo, isso traz muitos novos desafios, entre eles o risco de as reservas destinadas à aposentadoria não serem suficientes para durar até o final da vida.
Assim, a percepção de que pode faltar dinheiro para bancar os custos de uma vida mais longa está aumentando e mudando a relação dessa geração com o dinheiro. Segundo o Federal Reserve (Banco Central americano), em 1995, 46% dos aposentados americanos relataram fazer alguma poupança. Em 2022, esse número subiu para 51%. Esse fenômeno foi identificado também na Alemanha, Coreia do Sul, Canadá e Japão.
No caso do Brasil, a geração “Baby Boomer” enfrentou enormes crises financeiras, principalmente durante os anos de 1980, com o pico inflacionário e a crise da dívida externa, com impactos significativos na economia. Com isso, parece ter sido uma geração mais disciplinada em relação ao dinheiro, o que não significou que conseguiu acumular recursos suficientes para a aposentadoria.
Mas para poucos privilegiados, que conseguiram construir um certo patrimônio ou garantiram uma renda digna, a fase da aposentadoria é um momento para se dedicar a projetos como viagens e hobbys; contudo, a grande parte dos aposentados de hoje dependem da previdência pública como única fonte de renda, o que impõe grandes limitações de uma vida mais modesta.
Para as gerações seguintes, fica a dúvida se serão capazes de fazer uma poupança para a aposentadoria e ainda mais, se terão uma rede de proteção social pública capaz prover condições mínimas de uma aposentadoria que permita uma qualidade de vida minimamente digna.
No ambiente de hoje, onde as diversas gerações convivem no mesmo espaço e têm percepções e desejos diferentes, fica uma lição: procurarem usar o dinheiro com muita parcimônia e tentar fazer uma reserva para o futuro, para que a principal fonte de renda não seja somente os recursos incertos da previdência pública.