Boletos vs. votos: O alívio do endividamento como trunfo nas urnas

27/04/2026 0 Por Paulo Melo

O ano de 2026 é de eleições, e o tema endividamento das famílias está na pauta. O tema não é novo, visto que vem acontecendo há anos. Então, por que agora o tema está tão em evidência? Exatamente por ser um ano de eleição.

Grande parte do PIB brasileiro depende do consumo das famílias e nesse caso, famílias endividadas consomem menos e consumindo menos, a economia cresce menos. Outro ponto importante é o bolso do brasileiro, que  é muito sensível e acaba refletindo nas urnas.

Um associação de fatores como: um dos países mais bancarizados do mundo, crédito fácil, estimulado pelo próprio governo, renda média baixa, taxas de juros altas, inflação recorrente, baixo nível de educação financeira e um comportamento em relação ao dinheiro, no mínimo inconsequente, faz com que 80% das famílias brasileiras estejam endividadas e comprometa perto de 30% da renda só com contas ligadas ao sistema financeiro.

O diagnóstico é conhecido, mas faltam propostas de soluções viáveis. O programa “desenrola 2.0” promete renegociação justa e até uso do FGTS, para aliviar o peso das dívidas no curto prazo; contudo, não garante efeito duradouro e de longo prazo.

O risco é que, se esse novo programa não vier acoplado com instrumentos educativos, o efeito será possivelmente igual ao Desenrola 1.0 vigente entre 2023/2024: de cada R$ 1,00 renegociado, depois de um ano, gerou R$ 1,15 de nova dívida.

Vivemos uma clara dicotomia entre a conveniência política e a saúde financeira do brasileiro: enquanto o governo busca o alívio imediato do ‘nome limpo’ para aquecer o PIB e as urnas, ignora-se a raiz do problema, permitindo que o ciclo de endividamento se reinicie logo após a renegociação. Bom, mas aí o ano já vai ser 2027 e a eleição terá passado.