Educação financeira e a matemática

07/07/2021 1 Por Paulo Melo

A internet se tornou um campo fértil para surgimento de influenciadores digitais e youtubers que “ensinam” como ficar rico rapidamente por meio de dicas de educação financeira que abrangem até ensinar como investir em ações, tesouro direto, bitcoins e usando técnicas de autoajuda. Todos nós sabemos que não existe milagre e que educação financeira depende de uma série de fatores como os comportamentais e educacionais, dentre eles, uma boa base de matemática.

Então, como falar de educação financeira em um país com baixo nível de aprendizado de matemática? De acordo com os números do movimento Todos pela Educação, no ano de 2017, baseados nas informações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), somente um (1) aluno em cada dez (10) que concluiu o 2º grau tinha algum nível de proficiência em matemática.

O baixo nível de proficiência em matemática leva a um baixo nível de alfabetismo financeiro. Uma pesquisa de 2014 da consultoria Standard & Poors sobre o índice de alfabetismo financeiro no mundo, chegou à conclusão que somente 3 em cada 10 pessoas são “alfabetizados financeiramente”. Segundo estudos na área, esse número também tendem a se repetir no Brasil.

O termo “alfabetismo financeiro”, segundo pesquisadores como Leora Klapper e Peter van Oudheusden, do Banco Mundial e Annamaria Lusardi, da The George Washington University School of Business, refere-se ao grupo de pessoas que têm noções básicas de finanças, considerando 4 pilares: taxa de juros simples e composto, inflação, investimento/risco e previdência.

Assim, deficiência no aprendizado da matemática e consequente baixo índice de alfabetização financeira pode levar à dificuldades de se usar o dinheiro com sabedoria, o que acarreta endividamento e inadimplência. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC) em dezembro de 2020, 7 de cada 10 famílias brasileiras estavam endividadas e 4 em cada 10 apresentavam contas em atraso.

Assim, como falar de educação financeira de forma séria, sem que seja primeiramente priorizado uma melhora no aprendizado da matemática? Precisamos nos voltar para a importância do ensino da matemática nas escolas e valorizar os professores, só assim poderemos pensar em uma população mais consciente no uso do dinheiro e menos desigual. Cuidar bem do dinheiro é fundamental para a melhoria coletiva da nossa sociedade.