Endividamento das Famílias brasileiras: crédito caro sustenta a sobrevivência das famílias
Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) registrou em novembro uma ligeira queda do índice de endividamento de 79,5% das famílias em outubro para 79,2% em novembro de 2025. Considerando o mesmo mês (novembro) de 2024, quando o índice foi de 77%, o índice de novembro de 2025 foi de 2,2 pontos percentuais acima.

Abrindo esses dados por renda familiar de até 3 salários-mínimos(SM) tiveram em novembro desse ano o maior índice de endividamento, chegando a 81,1% das famílias endividadas. Já famílias com renda acima de 10 SM, o endividamento, mesmo alto, chegou em 66,7%.
O grande instrumento de endividamento é o limite do cartão de crédito (90% das dívidas são via cartão de crédito), que muitas vezes é considerado parte da renda da família. Esse endividamento entretanto, não é para comprar um carro novo, uma viagem ou um eletrodoméstico, mas sim para comer.
A armadilha é que para levar arroz, feijão, sabão em pó ou comida para o pet, o consumidor parcela, em média até 3X, comprometendo o limite do cartão para o próximo mês. Ao longo de um tempo, essa estratégia se torna impagável, principalmente pelos juros elevadíssimos do rotativo. Aí, o consumidor percebe que está em um ciclo perverso de endividamento, e preso a ele pela necessidade de sobreviver.
O crédito no Brasil não é para financiar melhoria de qualidade de vida ou sonhos das famílias, mas para sobreviverem no curtíssimo prazo. O endividamento não é só resultado de um baixo nível de educação financeira associado a um comportamento gastador, mas é também conjuntural e depende da melhoria de fatores macroeconômicos como: mais produtividade, melhores salários, redução da inflação e queda da taxa de juros, por exemplo.