Endividamento do brasileiro, uma pedra no meio do caminho do crescimento econômico
O problema crônico do endividamento da população brasileira, não se resolve com uma canetada. Em 2023, o atual inquilino do palácio do planalto, resolve lançar um programa chamado de “Desenrola Brasil”, com o objetivo de reduzir em até 40% o número de endividados no país.

Adivinha o que aconteceu? NADA. Aliás, aumentou de 71 milhões em 2023 para 78 milhões de endividados e inadimplentes em 2025, segundo dados da Serasa Experian. Será que alguém, tinha alguma dúvida disso?
Parece que a intenção do governo não era de reduzir o nível de endividamento e inadimplência, mas turbinar o consumo, para ajudar no crescimento do PIB nos anos de 2023 e 2024: 3,2% e 3,4% respectivamente. Em média, a participação do consumo das famílias é a principal variável da demanda, que chega a responder por 60% do PIB. No ano de 2024, essa variável, representou um crescimento de 5%.
Mesmo com juros elevados, inflação e programas como o Desenrola Brasil, outras políticas como os empréstimos consignados para trabalhadores CLT, saques do FGTS, incentivo ao consumo, estímulo ao crédito e saques da poupança, sabotam o objetivo de reduzir o número de endividados, tornando esse problema crônico no país.
Essa é uma questão de múltiplos fatores, onde os principais são baixa proficiência em educação financeira e um comportamento propenso ao consumo, facilitando o endividamento de curto prazo, onde as taxas de juros são maiores e os prazos de liquidação menores.
Finalizo com Carlos Drummond de Andrade “…no meio do caminho tinha uma pedra; tinha uma pedra no meio do caminho. Nunca esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas”.
Assim como Drummond, às vezes fico cansado de falar sobre como o endividamento faz mal para o indivíduo, para sua saúde mental, para a família, para a empresa que ele trabalha e para o país, que entre outras coisas, não consegue alcançar melhores resultados na Economia, devido a essa pedra no meio do caminho, que ninguém parece se importar.