Herpes, o sapo e a inflação no Brasil
Recentemente um amigo mencionou que estava surpreso pelo reaparecimento de umas bolhas nos lábios, pois a última vez que tinha ocorrido algo similar havia 5 anos e pensava que estava curado. O médico explicou que a herpes labial, uma infecção causada por um vírus, pode ficar “adormecido” no corpo por vários anos e mediante uma condição de baixa imunidade, por exemplo, pode voltar a se manifestar novamente.
Mas o que isso tem haver com a questão da inflação no Brasil conforme sugere o título do texto?
Aparentemente nada; mas a inflação no Brasil tem se comportado como o vírus causador da herpes, ou seja, tem ficado “adormecida” e nos primeiros sinais de crise na economia, seja ela causada por fatores externos, como a pandemia e alta do dólar, do petróleo, seja por questões internas do país ou pela conjunção de ambos os fatores, a inflação volta a se manifestar de forma a chamar atenção dos agentes econômicos.
Do ponto de vista da vida real da população, oscilando entre um grau maior ou menor, a inflação sempre esteve presente na vida do brasileiro, corroendo o poder aquisitivo do seu salário.
Bom, mas se isso é verdade, por que a sociedade não cobra políticas econômicas de combate à inflação mais efetivas?
Nesse sentido, Celso Ming, na sua coluna no jornal O Estado de São Paulo no dia 10 de fevereiro de 2022, dá essa explicação: ele traz a fábula do sapo na panela com água quente. Nessa fábula, a água é aquecida aos poucos e por isso o sapo não pula fora da panela a tempo de não cozinhar. Ele simplesmente se acostuma com a elevação gradual da água e acaba sendo cozido.
Da mesma forma, o brasileiro vai se acostumando com o aumento gradual dos preços e não percebe o quanto seu salário perde poder de compra ao longo do tempo.
Exemplo disso é como escolhemos os produtos que vão no nosso carrinho de compras no supermercado. Quase ninguém acompanha o histórico de preços de determinado produto/marca, permitindo assim entender sua evolução de preço. Com essa simples analise, o consumidor poderia comparar o preço atual com o preço anterior e identificar possíveis distorções.
Nos comportamos como o sapo na panela com água quente: nos acostumamos com os aumentos gradativos de preços e nem percebemos que estamos cada vez mais pobres.
Paulo Melo, PhD
CEO do Pricebook! do Brasil