Inflação no Brasil nunca saiu de moda

Mesmo depois do choque do Plano Real em 1994, debelando a elevação de preços que estava em patamares astronômicos, a inflação nunca saiu de moda, embora tenha saído do “radar” do brasileiro.
A inflação nunca saiu de moda no Brasil porque se alimenta de uma combinação perversa de choques externos e fragilidade doméstica. Enquanto o petróleo e o dólar pressionam os custos de produção, o alto endividamento e a inadimplência recorde impedem que as famílias se protejam contra o fantasma da carestia.
Os números de endividamento segundo a PEIC/CNC chegam em mais de 80% das famílias endividadas e a SERASA registra patamares históricos de inadimplência, chegando a mais de 80 milhões de brasileiros com dívidas em atraso e de acordo com o BACEN, o nível de comprometimento da renda em dívidas no Sistema Financeiro Nacional, já passa de 29%.
Com a guerra no Oriente Médio, a inflação no Brasil reafirma sua persistência histórica em março de 2026, impulsionada por um cenário global conturbado. O recrudescimento da guerra no Oriente Médio desestabilizou o mercado energético, elevando o preço do barril de petróleo para patamares superiores a US$ 100.
Esse choque de oferta impacta diretamente o bolso do brasileiro através da alta nos combustíveis, encarecimento do frete e da queda de oferta de fertilizantes, que afeta diretamente o setor agrícola brasileiro. Todos esses fatores, pressionam os preços de alimentos e produtos básicos em uma economia dependente do agronegócio e do transporte rodoviário.
As projeções futuras refletem esse pessimismo, com o mercado financeiro elevando as expectativas para o IPCA. Segundo o Relatório Focus do Banco Central, a mediana das estimativas para a inflação de 2026 subiu de 3,91% para 4,10%, distanciando-se do centro da meta de 3,00%. Analistas alertam que, caso o conflito geopolítico se prolongue, o índice pode ultrapassar 4,50%, teto do intervalo de tolerância, forçando a manutenção de taxas de juros elevadas — atualmente situadas em 14,75% a.a. — por um período mais longo.
Assim, já passou da hora dos indivíduos, das famílias e das empresas colocarem novamente a inflação no “radar”, mantendo-se em alerta e em vigilância constantes para acompanhar as pequenas e constantes variações de preços sob pena de verem seu dinheiro rapidamente perder poder de compra.