Lições do PISA 2022 sobre letramento e comportamento financeiro do estudante brasileiro

28/06/2024 0 Por Paulo Melo

Os resultados do Programa internacional de avaliação de estudantes (PISA) 2022, mostra alguns indicativos importantes sobre o desempenho dos alunos brasileiros (15 anos de idade e ensino fundamental) em alfabetização e comportamento financeiro.

No ranking global do PISA 2022 em relação à alfabetização e comportamento financeiro, o desempenho dos estudantes brasileiros foi o terceiro pior entre os países avaliados, atras somente da Arabia Saudita e Malásia. A pontuação dos alunos brasileiros ficou na média de 416 pontos, enquanto a média dos países desenvolvidos (OCDE) ficou em 498 pontos. Quando se faz um recorte por sexo, as meninas foram um pouco melhor, atingiram a média de 418 pontos e os meninos, 413.

Outro ponto importante foi que somente 2% dos estudantes brasileiros conseguiram atingir o nível 5 (nível máximo da prova), enquanto nos países da OCDE, esse número chega, em média a 11%.

Segundo dados do PISA 2022, 77% do resultado de 416 pontos dos alunos brasileiros, é parcialmente explicado pelo baixo desempenho em matemática e leitura e os 23% restantes, por outros motivos, como pela desigualdade socioeconômica. Alunos com maior nível socioeconômico tiveram 86 pontos a mais do que alunos menos favorecidos.

Em relação ao comportamento financeiro, dois recortes chamaram atenção: i) impacto do grupo social e ii) participação da família nas decisões sobre como usar o dinheiro. Em relação ao item i, 56% dos alunos relataram que compraram coisas, porque os amigos tinham. Na OCDE, esse número é de 60%; contudo, para alunos avaliados no nível 4 e 5, esse porcentual cai para 47%. O que significa que, embora a influência do grupo seja alta nas decisões sobre como usar o dinheiro, quando o aluno é mais letrado financeiramente, ele sabe controlar esse impulso de consumo.

Sobre o item ii, o estudo mostra a importância da família no desempenho financeiro dos jovens. Segundo dados do PISA 2022, 76% dos jovens relataram terem conversado com seus pais sobre dinheiro no período de 12 meses que antecederam a prova. Só como referência, nos países da OCDE, esse porcentual ficou também em 76%.

Com graves distorções sobre o entendimento de conceitos básicos de finanças pessoais e comportamento sobre uso do dinheiro, essa geração já compromete seu futuro e o do país. Por fim, quando entendemos que esses alunos são a próxima geração de líderes, profissionais e empresários e que muito pouco é feito e discutido para mudar essa realidade, as preocupações aumentam.