Mobilidade intergeracional e o caos nas finanças pessoais do brasileiro

20/02/2026 0 Por Paulo Melo

Segundo dados do Banco Mundial, no Brasil cerca de 50%-70% da vantagem (ou desvantagem) econômica de um pai é transmitida diretamente para os filhos, um dos índices mais altos do mundo. Para o Instituto de Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) e do IPEA, no país esse índice chega a exatos 60%. Isso chama-se de mobilidade intergeracional. A mobilidade intergeracional é a capacidade que um indivíduo tem de se mover na escala socioeconômica em relação a seus pais.

Entre a população de mais baixa renda, somente 2,5% das crianças que nascem na camada mais pobre (20% de menor renda), conseguem chegar na camada superior da pirâmide (20% de maior renda) na fase adulta, mostrando que existe uma relação direta entre as condições econômicas dos pais e dos filhos, consolidando uma desigualdade cruel já existente e perpetuando um ciclo de pobreza crônico entre gerações.

Assim, talvez possamos inferir que em relação ao descontrole nas finanças pessoais, com altos indicadores de endividamento e inadimplência de hoje, tende a seguir a mesma lógica: filhos de pais endividados hoje serão também endividados na fase adulta.

Para quebrar esse ciclo, é preciso construir políticas públicas afirmativas voltadas à melhoria do nível de educação formal com resultados de aumento de renda no longo prazo, redução da taxa de juros e inflação baixa. Além disso, incentivar a adoção de boas práticas de gestão das finanças pessoais, com o objetivo voltado à mudança de comportamento, para quebrar esse ciclo geracional vicioso, onde os filhos dos devedores de hoje não sejam os devedores de amanhã.