Nem tudo é muito bom
Mesmo sabendo que a proposta, agora aprovada pela Câmara, de isenção do IR a partir de 2026, para quem ganha até R$ 5 mil teve na sua origem um caráter eleitoreiro e populista, é socialmente justa e vai beneficiar uma grande parcela da população com um aumento de renda no final do mês.
Um possível efeito colateral é que essa medida possa trazer junto, uma ampliação de gastos de consumo das famílias, levando a um maior descontrole do endividamento familiar e uma maior inflação, o que pode postergar uma possível redução da taxa de juros SELIC (atualmente em 15%aa) pelo Banco Central em 2026.

Como compensação pela perda tributária na ordem de R$ 31 bi, a proposta prevê unicamente a taxação dos chamados “super ricos”. O eixo principal de compensação deveria conter também a redução do custo do Estado cada vez mais inchado, atacar a crise fiscal e previdenciária, reduzir os penduricalhos que inflam o salário de alguns funcionários públicos, rever a questão dos gastos com a próxima eleição na ordem de R$ 5 bi entre outras medidas.
O entusiasmo e alegria pelo aumento de renda das famílias a partir de 2026, pode virar uma preocupação para o país nos anos seguintes.