O exemplo tem que vir de cima: endividamento público e das famílias
Segundo a Confederação nacional do comércio de bens, serviços e turismo (CNC), com dados de dezembro de 2022, o índice de endividamento das famílias brasileiras, chegou em média no ano de 2022 a 77,9%; ou seja, cerca de 8 em cada 10 famílias no Brasil estão endividadas e quase 3 estão inadimplentes. Esses dados são os maiores desde 2011, quando a PEIC (Pesquisa de endividamento e inadimplência do consumidor) foi iniciada.
Para a economia do país, onde cerca de 65% do PIB depende do consumo das famílias, a combinação não podia ser pior: aumento do endividamento somado ao encarecimento das dívidas. Encarecimento esse devido a elevação dos juros motivado pela necessidade de conter a inflação.
Agora, do ponto de vista de outro agente importante na composição do PIB, que é o governo, o que se vê é um mal exemplo em relação ao equilíbrio das contas públicas. Com a PEC da transição, por exemplo, soma-se em 2023, um custo adicional de cerca de R$ 200 bi aos gastos públicos.
Acrescido a tudo isso, as falas do atual Presidente que criticam o teto dos gastos (mecanismo para regular o crescimento das despesas públicas), faz com que as previsões da dívida pública em relação ao PIB, chegue a cerca de 80% nesse ano.
Assim, qual mensagem e sinal são enviados para a sociedade, quando o próprio governo parece escolher caminhos que aumentam o endividamento público? O exemplo não deveria vir de cima?