O Paradoxo da Inclusão: Ter conta no banco e cartão de crédito não significa ter cidadania financeira
O tema endividamento das famílias brasileiras virou uma “trend”. Como todo conteúdo que viraliza, tem um prazo de obsolescência relativamente curto e daqui a pouco, não vamos mais falar desse assunto, o que não significa que ele desapareceu.
Muitos têm comentado sobre o endividamento do brasileiro como se isso fosse novidade e chegam a dar uma conotação político partidária por estarmos em um ano eleitoral. Fazendo isso, fica parecendo que o tema é uma questão recente, simples e conjuntural, o que não é verdade. É antigo, complexo, estrutural e recorrente.
Dentro de uma perspectiva simplista, muitos ditos especialistas, parecem colocar a “culpa” no próprio brasileiro somente, quando abordam questões relativas à baixa proficiência de educação financeira. Na verdade, é um fenômeno muito complexo e multifacetado.
Por outro lado, ao longo dos últimos anos, evoluímos bastante no nível de bancarização. Chegamos em torno de 90% da população adulta com algum tipo de relação com o sistema financeiro, segundo o BC. Muito desse avanço, deve-se às novas tecnologias, digitalização e as fintechs, que fazem um trabalho muito bom de inclusão financeira. Contudo, esquecemos criar condições e de preparar essa população para usar inteligentemente esses recursos e serviços.
Sem um entendimento mais abrangente e vontade real de resolver o problema, que passa por questões estruturais na economia, de educação e de comportamento em relação ao bom uso do dinheiro, vamos continuar de tempos em tempos voltando ao tema, visto que, a “culpa” não é somente do indivíduo, mas de todo uma conjuntura que conspira favoravelmente para esse endividamento.