Startup de Brasília desenvolve aplicativo que ajuda no aumento do alfabetismo financeiro no Brasil

24/11/2020 0 Por Paulo Melo

Vamos supor que você compre 4kg de arroz e gaste R$ 32,00 por mês. Supondo também que a marca do arroz que você sempre compra dobre de preço, mas seu salário permaneça o mesmo e você só tenha disponível para o arroz a mesma quantia de R$ 32,00, nesse caso, você irá comprar: i. Menos kg do que consegue comprar hoje; ii. Mais kg do que consegue comprar hoje; iii. A mesma quantidade de kg de arroz ou iv. Não sabe a resposta.

Vamos supor novamente que você deixou de pagar a fatura total do seu cartão de crédito e o saldo devedor ficou em R$ 100,00. O cartão de credito cobra juros de 10% ao mês. Se você liquidar esse saldo devedor somente dois(2) meses depois, qual será seu novo saldo devedor? i. R$ 120,00; ii. Mais que R$ 120,00; iii.Menos que R$ 120,00 ou iv. Não sabe a resposta.

Se você leitor, não sabe ou não tem certeza sobre as respostas, não se preocupe, pois você não está sozinho. De acordo com a pesquisa de 2014 da consultoria Standard & Poors sobre o índice de alfabetismo financeiro no mundo, somente 30% da população mundial pode-se dizer “alfabetizado financeiramente”. O termo “alfabetismo financeiro”, segundo pesquisadores como Leora Klapper e Peter van Oudheusden, do Banco Mundial e Annamaria Lusardi, da The George Washington University School of Business, refere-se ao grupo de pessoas que conhecem conceitos básicos de finanças como: taxa de juros simples, juros composto, inflação e risco.

Em um ambiente financeiro cada vez mais sofisticado, surgimentos das fintechs, implantação do PIX, que é a plataforma do Banco Central do Brasil que vem para facilitar os pagamentos e transferências bancarias, taxa SELIC à níveis mais baixo da história e certa facilidade de crédito face à pandemia do Covid-19, fica cada vez mais evidente a necessidade das pessoas estarem bem informadas sobre finanças e como melhor gerir seu dinheiro.

O conhecimento básico sobre elementos de finanças torna-se mais importante em ambientes onde o desemprego e queda de renda são mais presentes, como é o caso do Brasil. Aqui, em particular, essa deficiência também tem muito haver com a frágil base educacional, principalmente no tocante ao ensino da matemática.

De acordo com os dados do movimento Todos pela Educação, entre os anos de 2007-2017, baseados nas informações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), mostram que o aprendizado da matemática no Brasil piorou. Em 2007, somente 9,8 % dos estudantes no 3º ano do ensino médio tinham nível de proficiência em matemática e em 2017, esse porcentual reduziu para 9,1%. 

O grande desafio, contudo, é como dar as pessoas o mínimo de informações sobre finanças capaz de ajudá-las à sobreviver nesse ambiente cada vez mais complexo. Em fevereiro desse ano, foi criado em Brasília, a startup Pricebook!. A startup lançou o APP Pricebook!, que funciona de forma customizada, onde o usuário cadastra os produtos que ele normalmente compra, como: produtos alimentícios, higiene pessoal, de limpeza, remédios entre outros. Tudo isso através da simples leitura do código de barras.

Assim, o usuário pode, toda vez que for fazer as compras, verificar como o preço atual dos produtos se comportam em relação ao preço da última compra. O Pricebook! está disponível nas lojas de aplicativos Google Play e Apple Store, onde o usuário pode, gratuitamente, baixar o App e assim, poder acompanhar a evolução do histórico de preços dos produtos de compra recorrente.

Esse App foi desenvolvido, pensando em reforçar e estimular o entendimento sobre finanças e a importancia do dinheiro ao longo do tempo, trabalhando assim, na prática, um dos pilares do conceito de “alfabetismo financeiro”, o pilar da inflação.

Segundo o CEO do Pricebook!, Paulo Melo, PhD em inovação, “o resultado real é poder ver o usuário ter na palma da mão, a informação que vai permitir que ele, de forma consciente, tome a melhor decisão de compra. É a tecnologia à serviço de aumentar o alfabetismo financeiro e ao mesmo tempo, fazer com que ele possa economizar nas suas idas ao supermercado”.