Taxa de juros x educação financeira do brasileiro, o que pesa mais no endividamento?

06/11/2024 0 Por Paulo Melo

O índice de endividamento das famílias brasileiras caiu de 78,8% em junho 2024 para 76,9% em outubro, segundo dados da PEIC/CNC. Isso é bom, não é?

Olhando rapidamente, a resposta talvez fosse “sim”. Contudo, observando com mais cuidado e critério, pode-se dizer que essa queda do endividamento tem mais a ver com o cenário de juros mais elevados, do que com uma melhora na gestão do orçamento doméstico do brasileiro.

No mesmo período, a Selic saiu de 10,50%aa em junho para 10,75%aa em setembro e os especialistas projetam que na reunião de novembro (06/11), vá para 11,25%aa. Juros mais altos, acabam restringindo o acesso ao crédito, o que traz uma redução do nível de endividamento geral. Então, isso é mais que bom!

Calma aí….Se por um lado, a taxa de juros mais alta, tem um efeito de reduzir o endividamento das famílias, muito por inviabilizar o acesso fácil ao crédito; por outro, aumenta a inadimplencia.

Na mesma pesquisa PEIC/CNC de outubro 2024, o porcentual de famílias que estão com contas em atraso saiu de 28,8% em junho para 29,3% em outubro 2024. Além disso, as famílias que não terão condição de quitar essas dívidas, saiu de 12% em junho para 12,6% em outubro.

Quando se olha o recorte de famílias de renda mais baixa, a inadimplencia chega a 37,7%, mostrando que essas famílias são mais vulneráveis ao aumento dos juros, tornando a quitação de dívidas um desafio quase intransponível.

Infelizmente no Brasil, a gangorra do índice de endividamento e inadimplencia tem mais a ver com a oscilação da taxa de juros do que com uma efetiva melhora do nível de educação financeira do brasileiro.